Estudo pioneiro do LPF permite identificação de faqueado de duas espécies nativas

Estudo pioneiro do LPF permite identificação de faqueado de duas espécies nativas

  • Published: Tuesday, March 30 2021 21:54

Estudo pioneiro do LPF permite identificação de faqueado de duas espécies nativas em risco de extinção e três similares

O uso da tecnologia NIRS associado à quimiometria é capaz de identificar espécies florestais muito confundidas no comércio pela similaridade de seus caracteres geraismadeira faqueado 2

Estudo pioneiro de pesquisadores do Laboratório de Produtos Florestais (LPF), vinculado ao Serviço Florestal Brasileiro (SFB/Mapa), e do Laboratório de Automação, Quimiometria e Química Ambiental da Universidade de Brasília (AQQUA /UnB) permite a identificação de faqueado de cinco espécies florestais frequentemente comercializadas como sendo mogno. A tecnologia usada na pesquisa envolve espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS) associado à quimiometria.

Ao todo, foram estudados faqueados das espécies florestais mogno (Swetenia macrophylla K), andiroba (Carapa guianensis Aubl.), cedro (Cedrela odorata L.), curupixá (Micropholis venulosa Pierre) e jatobá (Hymenea coubaril L.) Todas elas são similares em caracteres como a cor e a textura.

O processo de laminação pode gerar o faqueado e o laminado. No faqueado, uma tora fixada em forma de bloco ou pranchão é cortada por uma faca industrial que fatia continuamente toda a superfície, retirando lâminas delgadas com espessura variando entre 0,6 a 1,0 mm. Já no laminado, a tora é fixada com garras em um torno laminador ou desenrolador, que gira ao encontro de uma faca industrial, cortando lâminas de espessura entre 1,2 a 4,0 mm. A espessura deste tipo de corte dificulta a identificação por meio dos caracteres anatômicos, método mais utilizado na prática de identificação em campo.

Tanto o faqueado como o laminado são produtos comercializados e amplamente utilizados para diversos fins, principalmente em movelaria. O uso mais comum é como revestimento de produtos moveleiros, fabricados com madeiras menos competitivas comercialmente, por lâminas de espécies com mais atrativos visuais.

Pioneirismo

madeira faqueado 3O artigo “Identificação de faqueado de mogno usando dispositivo portátil de espectroscopia de infravermelho próximo e análise multivariada de dados” foi publicado na edição de fevereiro da Revista da Associação Internacional de Anatomistas de Madeira IAWA Journal (IAWA, da sigla em inglês). A publicação reúne pesquisas dos mais renomados estudiosos com o objetivo de difundir o avanço do conhecimento da anatomia da madeira em todos os seus aspectos.

A pesquisadora do LPF/SFB, Tereza C. M. Pastore, que é uma das autoras do estudo, informa que não há na literatura científica atual um método instrumental destinado a fazer a identificação de laminados que possa ser comparado com o método NIRS.

“O fato de trabalharmos com um aparelho portátil permite fazer uma análise prévia sobre a identidade da espécie florestal que originou o laminado. Se for necessário, a amostra é enviada ao Laboratório para confirmação. Além disso, a tecnologia NIRS é bastante amigável, dispensando horas e horas de treino dos agentes “ambientais”, afirma Tereza Pastore.

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